segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hoje escrevo eu...

A noite funde-se com o rio.

Entre o lodo e a bruma, apenas se desvendam silhuetas inundadas de rasgos de luz e cumplicidade. Em outros confortos, um coração quente olha os corpos frios, que se tocam com alguma inocência. A brisa, leve, procura o calor. Traz nos seus ares um cheiro ondolado ao frenesim do rio, e um silêncio ensurdecedor que enche a alma.

Paz. Ansiedade. Paz.

Já todos juntos, esperam por um último rasgo de luz, aquele que os eterniza naquele mundo só deles. Curioso, o rio, saboreia como até no escuro as afinidades se vislumbram. Os olhos, que agora já descortinam mais do que silhuetas, enchem-se de tristeza. Encher-se-iam de lágrimas também, não fosse o frio cortar-lhes a alma. É hora de partir.

O luar não chega ao seu encontro, e os corpos devolvem-se aos canaviais, transformando-se uma vez mais em silhuetas do que foram.

1 comentário:

Ana Jones disse...

já tinha saudades de ver aqui coisas. este texto diz-me bastante. parabéns!

um beijo*